Domingo, 19 Nov 2017
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A nossa tragédia

Por Marcelo Sales

 

 

Num momento em que parece não haver limites para o desenvolvimento da tecnologia e da ciência. Numa era em que a globalização, se impõe com a interligação de pontos extremos do planeta pela troca de informação, e com o intercâmbio crescente de mercadorias por meios logísticos cada vez mais modernos. Enfim, mesmo depois de todo progresso nas diversas áreas profissionais, o ser humano continua deparando-se com situações que restabelecem uma das mais importantes das verdades: sua fragilidade diante da natureza.

É impossível não se sensibilizar com as numerosas perdas humanas de algumas famílias com a tragédia das chuvas na região serrana. Logo a natureza, sempre tão afável e solícita com o nosso país, tão repleto de rios e mares, tão escasso de vulcões e terremotos. Como poderíamos culpá-la, ou sequer dirigir a ela nosso inconformismo, se a natureza somos nós e nós somos a natureza. Lembre-se de quantas vezes você já afirmou ou pensou da seguinte forma: A natureza é realmente perfeita! Lembro-me da estória de um homem com super poderes, que resolveu trocar a melancia e a manga entre as suas respectivas árvores. De repente ele acordou com o choque de uma manga, que acabara de cair do pé, contra a sua cabeça, na sombra da árvore onde estava sonhando.

A tragédia não é vontade divina, nem a avalanche é vontade da natureza. Não vou entrar na discussão sobre a influência do aquecimento global no índice pluviométrico registrado na região serrana do Rio de Janeiro no último dia 12, até porque esse é um tema para os técnicos especialistas. Entretanto, sinceramente, estou dedicando alguns minutos para elaborar uma frase pronta para encaixar nas conversas do dia a dia, que agora não serão sobre as condições climáticas do presente e do futuro, mas sobre aquelas de um passado que vai entrar para a história.

Apesar de particularmente não acreditar que a tragédia tenha vindo para dar qualquer tipo de recado, porque não aproveitar isso dela. Os seres humanos ficam mais humanos. O frio apresentador do telejornal não consegue esconder a emoção, a tristeza é contagiante, as doações de materiais e de sangue saem de todos os lugares. É como se a emoção tomasse o lugar da razão e de cada telespectador fosse enviada uma energia capaz de chegar aos sobreviventes em forma de esperança.

Na era dos computadores, o ser humano e suas emoções continuam absorvidos pelo que realmente importa, as pessoas e os sentimentos. Na era da globalização, há um pedaço de chão com muito significado, onde o indivíduo costuma cumprir diversas etapas da vida, o lar. Lar que lembra os entes queridos, e isso é o que de mais valioso se adere na passagem por esta vida. Quando, de forma inexplicável, o fenômeno natural varre tudo, ainda há de haver espaço no coração para aquilo que não morre qualquer que seja a avalanche: a fé e o amor. Quanto à frase feita, renuncio, o silêncio fala mais alto.

Marcelo Sales Ferreira – Professor da UFRuralRJ, Departamento de Ciências Administrativas e Contábeis. Leciona, extensiona e pesquisa em Administração da Produção e Operações. http://lattes.cnpq.br/8194523141613358.   Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.