Domingo, 19 Nov 2017
   
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Curtas

 

Ausente

Ausente de mim mesmo. Assim me encontro.

Naturalmente descompromissado com tudo, passageiro do acaso, vagando sobre o caos estabelecido naquilo usualmente chamado vida.

Viajante anônimo, sem saber para onde ir ou voltar.

Omisso de tudo, alienado do momento, indiferente ao que ocorre.

Cego, surdo e mudo.

Um ser vegetando.

Uma forma de expressão: a repetição.

Patético, comiserável, digno de algum sentimento.

Pena ou ódio? Sintam alguma coisa, mas não esperem reciprocidade.

Seus gritos de nada adiantarão, nem palavras de efeito ou olhares de comoção.

05/10/94

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Lembro que já fui bem mais ingênuo, achava que a vida era um sonho e tudo era agradável. E por mais que algumas coisas acontecessem, o mundo continuava uma maravilha.

Lembro que sonhei ser um super-herói, tudo poderia fazer e nada me aconteceria. Minha vida era uma questão de tempo: bastava acordar, para tudo começar.

Hoje, paro atônito e menos ingênuo, sabedor de que tudo pode acontecer comigo, inclusive realizar todos meus sonhos. Também não me esqueço que havia espaço e tempo para sonhar e brincar. De tudo eu fazia, bastava tentar.

07/11/94, Sala 21 CPD/UFRRJ, p1.

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Tem certas horas em que o máximo de consciência sobre as coisas pouco serve. Muito menos ainda serve aquela famosa boa vontade para suportar barreiras e limitações.

Quando o assunto é amor, tais fatos ficam mais claros. Não posso negar que nessas horas sou igual a todo mundo: caio de quatro, arranco cabelos e faço beicinho. É com muito prazer que tenho essa consciência. Todos iguais, porém, uns mais iguais que os outros.

Ah! Quero mais é ficar sofrendo de amor, lembrar que amo e sou amado, que faço alguém feliz e que sou feliz! Não vou ficar triste caso saiba que aquela consciência careta de que as coisas não devem ser assim foi deletada do mundo.

20/11/94

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Estou de saco cheio com minha vida de três dias por semana. Não agüento mais acordar na segunda e só dormir na sexta. De segunda à sexta, vivo um único dia, pois todos os dias são um mesmo dia.

Preciso de criatividade para usar meus sábados e domingos para combater minhas segundas às sextas.

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O vestido é uma das melhores formas de dar forma ao meu desejo.

O vestido é uma metáfora do meu desejo.

Um vestido transforma uma mulher ou uma mulher transforma um vestido?

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Não sei dizer o que seria de mim sem o corpo feminino.

Pensar-me passa, necessariamente, pela existência de uma mulher ao meu lado.

Existo a partir da onipresença de uma mulher, do seu corpo e

de toda essa magia que emerge quando estamos corpo a corpo.

Quando estou longe de uma mulher, ou distante do

erotismo feminino, estou doente, estou padecendo.


Marco Bauhaus

FEV/95, (UFF, Valonguinho)

 

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Ontem quando cheguei sabia apenas que chegava, mas não tinha noção do que estava chegando. Hoje quando saí senti que faltava alguma coisa, estava com a impressão de que alguma parte minha havia sumido.

Todo dia quando saio tenho a impressão de que estou acabando. Dia após dia sinto que vou desintegrando-me. Além da rotina, o que ainda não entendo e me faz sentir um nada, estudar em Niterói aumenta essa sensação de desmaterialização. Quando paro ou deito, vem mais forte este sentimento de perda. Mesmo agora, enquanto escrevo, sinto que algo está faltando.

Acho que preciso parar tudo que faço, para ir atrás do que perdi e tentar recuperar. Mas não dará para recuperar o tempo que passou.

17/02/95

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


O vazio me assola , não quer ir embora.

Eu vou agora, sem demora.

Volto não sei qual hora.

Minha alma chora.

A mudança demora.

Essa realidade me amola

O corpo também chora.

18/03/95

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Certezas

Talvez, se eu fosse menos emotivo, não sofreria tanto.

Talvez, se eu não fosse tão preocupado em ser feliz, a felecidade viria.

Talvez, se eu deixasse de lado minhas maiores ambições, abandonasse meus ideais e absorvesse a realidade dos outros, as coisas pudessem ser diferente.

Talvez, se eu fizesse isso tudo, nada aconteceria comigo: eu estaria morto.

29/03/95

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


O que vim fazer aqui?

Não tenho muita certeza sobre o que vim fazer aqui.

Para ser sincero, só agora sei que estou aqui.

Antes, não tinha idéia se eu era alguém ou estava em algum lugar.

Agora sei que estou procurando ser alguma coisa.

Esse é o meu desafio: ser.

Sei apenas que estou: ainda não consigo determinar o que sou.

Estou ao meio.

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O que estou fazendo aqui ?

Minha fome poderia responder.

Mas ao certo não sei falar.

Uma coisa sei: o cansaço pode esperar.

Preciso falar, mas tenho vontade de calar.

O que vim buscar?

A dor pode começar. Se quiser pode parar.

Estou em algum lugar, não sei se sou lá.

Posso parar. Também posso buscar, assim como posso voltar.

O sono também me questiona sobre o que estou fazendo aqui.

Estou sem resposta, mas não posso parar.

O tédio vai me atropelar.

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Deixar você.

Quero não crer,

Penso não merecer.

30/03/95 – ESPM

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Do corpo estressado, surge um grito, seguido de apreensão:

“Basta solidão! De agora em diante só prazer, só satisfação.”

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À mente pela manhã, iluminação e equilíbrio.

Ao corpo pela manhã, desvê-lo, transparência e movimento.

À mente ao meio-dia, paciência e perseverança.

Ao corpo ao meio-dia, flexibilidade e observação.

À mente ao anoitecer, liberdade, dedicação e coragem.

Ao corpo ao anoitecer, descoberta, diálogo e entrega.

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Os olhos aprovam e o cotidiano desmente. Os olhos não nos traem, nem nos iludem, apenas expõem, e o ego internaliza.

Os olhos não julgam, não mentem, não procuram; eles estão. Deles, muitas vezes escapa a essência. O resto não tem jeito, não tem saída, está exposto à fraqueza do nosso sentir e às limitações do nosso pensar.

22/04/95, Juiz de Fora, casa do Almir

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Depois de mais um dia de agonia as esperanças renascem de forma quase milagrosa.

A oportunidade de transformação garante, ao final do dia, alegria para o coração.

Nesse momento só penso em vencer.

A felicidade que me conquista parece provar que nem tudo é ilusão.

Para quem vive de luta a possibilidade da vitória justifica qualquer ação que tenha em si dignidade.

27/04/1995

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Por que não conseguimos mudar as coisas?

Porque não estamos vendo nada.

Estamos à parte, longe e perdidos.

Não estamos indiferentes, estamos inconscientes.

O que está ocorrendo não está sendo percebido.

O que temos para viver não está sendo sentido.

As coisas estão, são e serão sem que as compreendamos

Paralisamos o pensar, estamos banalizados.

Banalizando o pensar, esgotamos as possibilidades

de soluções para problemas importantes de nossas vidas.

25/05/95, IBM - Presidente Vargas

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Duro de matar, duro de ver, duro de agüentar.

Tá difícil, tá que tá.

Estou sem respostas, estou sem lugar.

Estou a vagar, dias nublados, sem saber o que fazer ou falar.

Estou a pensar, ansioso por respostas, querendo gritar.

Estou insatisfeito, estou a negar, não suporto essa realidade, quero transformar.

Duro de dinheiro, duro para desistir, mas fácil de assumir, não vou fugir, mas quero dormir.

Quero ir para qualquer lugar, só não quero sumir.

Quero sorrir. Quero visão, qualquer solução.

Estou só, quero uma mão.

Quero viver. Quero uma paixão. Quero um amor.

07/06/95 - Cinema na Cinelândia - Filme: Duro de Matar 3

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


A criação acontece e nem sinto. Quando percebo já estou diante da cria, desmaterializado-me lentamente, consumido pelo tempo e o espaço. A criação é a condição da desmaterialização. Não ha como criar e continuar o mesmo . Volto puro, leve e ignorante, tudo é novo, vivendo, surpreendendo e sendo surpreendido. Crio, me desmaterializo e sou restituído mais adiante, jogado de novo na rotina, no jogo da vida _ a queda de braço com as banalidades do cotidiano. Crio para não perder o jogo, para não morrer asfixiado ou afogado na mediocridade. Crio para fugir da mediocridade. Meu desafio diário é lutar para não virar um escravo da mediocridade, que dia após dia aumenta seu exercito, transformando o jogo num massacre. Crio para viver, vivo para criar, sentir, lembrar, sorrir e chorar.

11/05/96 – Seropédica, Casa 494

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Engarrafaram meu entusiasmo num botijão e levaram para longe.

Fui direto para um fogão.

Como não produzi fogo, voltei para o caminhão.

Não fizeram destroca, nem decantação, fui direto para o pátio, sem direito a requalificação.

Peguei chuva, peguei sol, indiferença e solidão.

Estou engarrafado. Entusiasmo de botijão.

Duque de Caxias, parque da Nacional Gás Butano

 

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----



Bastidores

Nos bastidores dos meus momentos de silencio é que descubro a fragilidade de alguns pensamentos e atitudes que tenho e de algumas decisões que tomo. Fico surpreso com o elevado grau de insignificância que apresentam. Dependendo do momento em que ocorrem, elas me desanimam por completo, colocando por terra toda evolução moral, espiritual, emocional e intelectual que eu supunha ter adquirido.

 

12/05/1998 – Tijuca, Santa Sofia, 262

 

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----

 


Reinvenção

Esta é a declaração da minha reinvenção.

Palavras da minha transformação.

Palavras que voltam a falar de amor, poesia e união.

Palavras que reinventam a vida, que pegam novos e velhos sonhos e curam feridas.

Esta é a declaração das mudanças, mesmo que implique andança, qualquer que seja a distância.

Palavras da decisão que bani a acomodação e que não teme a desilusão.

É a declaração de uma revolução.

Palavras da verdade, dos que dizem não à falsidade, dos que lutam pela dignidade.

É a declaração para aprender a viver com simplicidade, humildade e sinceridade.

Palavras que destroem a tristeza e reinventam a felicidade.

13/07/1998

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Gosto de andar pelas ruas do Rio e de ficar observando as mulheres. A beleza anônima e efêmera delas me atrai, excita, deixa-me feliz.

Gosto de contemplá-las, de conquistá-las com os olhos, de colocar palavras em meu desejo. Essas mulheres libertam minhas palavras, dão vida a minhas ideias, suavizam o insólito passar do tempo cosmopolita.

Encontro em seus sorrisos, gestos, roupas e curvas a poesia e a emoção que a rotina nos rouba. Elas também ajudam a restituir, ainda que anonimamente, a pessoalidade que o cotidiano nos toma.

São todas lindas, e me parecem bem familiares, apesar da diversidade.
Gostaria de falar oi; perguntar sobre como estão seus dias.

Marco Bauhaus
25/02/97, C.C.B.B

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Sim, vale a pena ser educador. É uma escolha importante sobre o que fazer da vida e na vida que temos pela frente. Quando olhamos a vida em perspectiva, isto é, quando damos conta do tempo que Deus nos dará o direito de percorrer (o nosso devir), percebemos que queremos fazer algo que nos torne mais alegres, importantes, produtivos, criativos, satisfeitos e recompensados. Queremos aproveitar esse "direito" de maneira mais intensa, enfim, que ele seja marcante.

Dos fazeres que o homem inventou para aproveitar desse "direito", o fazer da educação é o que mais gera oportunidades para que nos tornemos mais alegres, importantes, produtivos, criativos, satisfeitos e recompensados. Por mais complexo e mal gerenciado que seja esse fazer, ele é o único em que gastamos recursos para produzir algo que não será consumido e, logo, deixará de existir ou que gerará resíduos que vão comprometer o nosso devir. O que produzimos no fazer da educação é algo que vai repercutir, reverberar continuamente, tomando a forma de idéias, atitudes, comportamentos e práticas que tornam o "estar e transformar-se aqui" uma experiência fantástica.

2009

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Tentei fugir de suas palavras, mas seu corpo não deixou. Procurei esquecer nossos momentos, mas o cheiro do seu amor não acabou. Evitei manter contato com qualquer coisa que a lembrasse, mas meu inconsciente não deixou. Você, apesar de estar longe, não deixou de estar presente em minha vida. Não há jeito, um amor não é coisa do passado, é o dia-a-dia da nossa vida.

FEV/95, (UFF, Valonguinho)

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Assim, não dá. Ter que dar e não ter para dá.

O que dar? Dar o quê? Como? Quando? E para quê?

Eu sei, é dando que se recebe.

O ideal é dar sem esperar receber.

Eu quero dar, mas quero receber. Dando me sinto útil, pois estou ajudando alguém. Dar é um ato humano, gentil e nobre.

Eu quero dar, nunca resisti para dar. Sempre dei fácil e conscientemente. Eu quero dar, mas assim não esta dando.

28/09/95 Sala 21, p1, UFRRJ

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Olhei e gostei.

Coloquei algumas palavras no olhar.

Ela começou a andar, mexendo pra lá e pra cá.

As palavras foram fervendo, foi ficando gostoso.

Estava com fome, fui provar.

11/08/1996

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Sozinho e confuso, carregando sonhos e saudades.

E o homem pensando: Ah! Felicidade. Há felicidade?

03/09/97

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Amar. Pode ser que quem for viver não o verá. Muitos dos que já viveram não o viram. E quem está vivendo já encontra dificuldades para o ver.

Amor está se tornando coisa rara, escasso, e, por isso, cada vez mais precioso. Um bem para poucos? Uma experiência para iluminados? Ou apenas um hábito em desuso?

Como é ruim descobrir que não se usa mais amar, que amar é uma prática superada, uma ideia antiga, um ideal ultrapassado.

 

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Medo

Tenho medo de só me reencontrar quando amar estiver ultrapassado, quando não fizer mais sentido algum dizer eu te amo para alguém, quando sentir saudade for perda de tempo, gasto inútil de energia, mero desgaste emocional.

Tenho medo de ficar pensando apenas em mim até meus últimos dias, de só ter olhos para a imagem do que eu queria ser refletida nos outros, e ouvidos às reclamações por ser o que sou e como sou.

Tenho medo de não conseguir mais chorar a distancia, momentânea ou permanente, de alguém, cuja presença transformasse as cores do ambiente em volta, de alguém cujas palavras fizessem estremecer o corpo e cujo cheiro inebriasse a alma.

Tijuca, Sta Sofia, Apto 261/102. 29 e 30/08/2001.

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


O Negócio de Viver

Quem faz do negócio um negócio, tem tempo e dinheiro para viver.

Quem faz do negócio sua vida, não terá dinheiro que baste para chegar a viver.

Quem faz da vida um negócio, trocou-se por dinheiro, lançou-se no tempo.

Quem faz da vida uma vida, transcende a iminência do tempo e do dinheiro, dedica-se apenas ao negócio de viver.

A propósito, qual é o meu negócio?

04/08/2002

 

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


As histórias de amor seriam mais felizes se os parceiros se permitissem agir como amantes, se abrissem mão da certeza da presença do outro logo adiante, se soubessem manter um pouco de distância um do outro e de tudo aquilo que os tornam menos excitantes, se ousassem trocar mais por melhores instantes.

05/01/2003 Casa de Minas, kit 1, Seropédica.

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


A arte de viver e o aprendizado do amor (uma obra em construção. Quer dizer, em aprendizagem)

Viver é arte. Todos os aprendizados que um indivíduo tem o ajudam na arte de viver, pois esses oferecem mais adornos, ferramentas, inspiração e sentidos para a sua criação. As marcas que os aprendizados deixam na alma influenciam os olhares que ele lança para o universo e se refletem, de maneira peculiar, em cada produto de sua ação criadora.

Durante sua jornada o indivíduo vai deixando os produtos da sua ação criadora por onde passa e que formam o conjunto de sua obra. Conjunto formado de peças dos mais variados formatos, tamanhos e estilos, e feitas nos diferentes momentos em que se optou por viver ao invés de ficar imaginando como a vida poderia ser. Conjunto que revela detalhada e integralmente a trajetória do indivíduo pela vida, e que oferece atalhos significativos para se alcançar a sua alma e saber um pouco mais sobre ela. Revela-se o que foi encontrado, experimentado, as opções que foram feitas, o que foi deixado de lado, etc. Revela coisas e pessoas.

Amar é aprendizado. Da vida podemos tirar inúmeros aprendizados, e o do amor é o mais marcante. Amor é aprendizado porque é dinâmico, contínuo, não é algo acabado; e porque o indivíduo nasce bruto e aprende, com o passar do tempo, a discernir entre instintos e sentimentos.

Cada instante dessa jornada é uma oportunidade para aprender e, logo, crescer. A capacidade de amar de um indivíduo é relativa à sua jornada, principalmente, à qualidade da mesma.

15/06 e 12/12/2008

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----

 

A arte e o aprendizado

Viver. Arte difícil de produzir quando não se está preparado para perder. Qualquer que seja a perda: tempo, energia, objetos, sonhos, ideais ou pessoas.

Amar. Difícil aprendizagem quando não se está preparado para um não; quando tudo o que se quer é um sim, uma confirmação ou a doce e ininterrupta continuidade do melhor da nossa imaginação e do que fazemos a dois.

03/08/2008 Casa 668 – a, Seropédica

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Até bem pouco eu me perguntava sobre qual caminho seguir na vida; exclamava emocionado diante os problemas que eu nasci pra ser feliz; falava com Deus, em minha sempre vacilante oração de homem de pouca fé, para que ele mandasse pistas, paz e sabedoria, não a solução. Eu fazia isso sem o menor escrúpulo.

Atualmente eu digo outra coisa. E apenas se alguém me perguntar sobre o que quero fazer da vida. Eu digo: "quero saber dos caminhos que não devo seguir, pois, mesmo sem saber qual é o melhor caminho, sem ter encontrado a resposta ideal, darei mais atenção às coisas que, mesmo que não me empolguem, pelo menos me ensinarão outras lições sobre os ganhos e custos das decisões que tomamos na vida". Esta decisão eu tomo sem o menor pudor e com todos os escrúpulos, o que me faz exclamar emocionado que eu sou realmente feliz. Ah, sem me esquecer de falar com Deus, agora fortalecido em minha fé, por que complicamos tanto a vida?

25/11/2008, Casa 9, 668-a. noite.

 

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Se morremos ao deixar de respirar, como podemos viver ao deixar de sentir sentimentos que inspirem revolucionar?

Como passar pelos dias, sem que sobre eles queiramos projetarmo-nos para algo de novo deles extrair?

O quê fazermos pela alma para que aos dias tenhamos algo a oferecer?

 

02/01/2012

 

 

A nossa rua


Se essa rua fosse minha, eu mandava retirar o asfalto e deixaria o paralelepípedo.

Aumentaria o passeio e a iluminação.

Colocaria rampas, tiraria obstáculos e ordenaria o fluxo de pessoas e bicicletas.

Plantaria mais árvores e flores.

Colocaria mais bancos, mesas, balanços, bebedouros e gangorras.

Limitaria o acesso de moto e veículos, deixando-a mais segura, limpa e silenciosa.

Ficaria mais tempo nela, contemplando a beleza das crianças e interagindo mais com meus vizinhos.

Se essa rua fosse minha, meu amor, ela seria de todo mundo.

Marco Bauhaus

13 e 16/3/12