Domingo, 19 Nov 2017
   
Apresentação do Capítulo II PDF Imprimir E-mail

 

Este capítulo define e analisa a emergência dos termos alimentos funcionais e nutracêuticos e sua relação com o processo de reclassificação dos alimentos. Esta primeira arena do processo de institucionalização é denominada científica devido à centralidade exercida por este tipo de conhecimento nas análises disponíveis sobre a relação entre dieta e saúde. Como mostrado na introdução, vêm dos profissionais e instituições de pesquisa os conhecimentos embasando as definições e indicações de consumo dos alimentos funcionais e nutracêuticos. Tais conhecimentos trazem novos esclarecimentos sobre a relação dieta e saúde, constituindo-se na base de sustentação das aspirações ligadas à exploração econômica do potencial terapêutico dos alimentos. Como visto, isso acontece porque o reconhecimento desse potencial dos alimentos significa a reclassificação dos alimentos, uma vez que historicamente são proibidas alegações dessa natureza para esses produtos, o que abriria espaço para a criação de uma nova categoria de produto.


Este capítulo começa com a revisão da literatura que define o que são alimentos funcionais e nutracêuticos, explica os contextos em que os mesmos emergem e ganham visibilidade, e apresenta as principais definições subjacentes aos interesses de formalização dos mesmos como novas categorias de produto alimentício. Também são abordados exemplos de como os países estão se mobilizando para dar conta dessa oportunidade, uma vez que os ativos de produção de conhecimento são caros e os resultados da pesquisa demandam tempo para aparecer.


Os trabalhos que se encaixam nesta arena são mais técnicos, envolvendo, predominantemente, contribuições das áreas das ciências naturais e biomédicas, onde o papel da pesquisa é altamente evidenciado na descoberta de novas interações entre alimentação e saúde. Basicamente são investigadas quais substâncias bioativas respondem pela mudança do estado de saúde de uma pessoa e em que condições elas operam.


Do ponto de vista prático, o conhecimento gerado nesta arena leva ao desenvolvimento de novos produtos e conceitos e à comprovação da segurança e eficácia dos mesmos. Mas pelo fato desses alimentos convergirem com os medicamentos e cosméticos em termos de benefícios ofertados, a questão central que emerge é se os alimentos serão considerados benéficos à saúde à maneira como ocorre com os medicamentos, ou seja, submetidos a análises epidemiológicas, de mecanismos biológicos e ensaios ou intervenção clínicas?

 

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