Sábado, 18 Nov 2017
   
Carta ao DCAC PDF Imprimir E-mail
Prezados colegas do DCAC,


Os últimos acontecimentos envolvendo o nosso curso e os boatos a eles relacionados estimularam-me escrever algumas idéias e compartilhá-las. Essas idéias estão relacionadas à revisão da lógica que informa os movimentos estratégicos do curso.

Parece-me que esses acontecimentos mais do que sinalizam o desgaste e a total incompatibilidade da atual lógica, fortemente baseada na expansão horizontal do curso, interiorização, com o que se espera de um curso de Administração de Empresas em uma Universidade Federal. De maneira mais franca, acredito que chegou a hora de acreditarmos e adotarmos a prática do planejamento estratégico e quebrar de vez com a regra de que em casa de ferreiro o espeto é de pau. E com um detalhe: que o pensamento estratégico que nos embalar considere mais o contexto externo, a importância de pensar o posicionamento estratégico do nosso curso em um cenário onde os cursos de administração viram escolas de negócios, do que o contexto interno, melhor ilustrado pelas históricas rivalidades políticas observadas na UFRuralRJ.

Rivalidades essas que, em conjunto com a falta de um projeto consistente do Governo Federal para a UFRuralRJ, apenas contribuíram para o esvaziamento da sua importância no contexto mais amplo da economia alimentar nacional e mundial. Não somos referência em nada no mainstream mundial dos alimentos: alimento orgânico, biotecnologia, engenharia genética, comércio justo, alimentos funcionais, slow food ou expansão do varejo e serviços de alimentação. Enfim, as rivalidades colocam a UFRuralRJ num perigoso isolamento da institucionalidade global e nacional. Isso sem considerar o histórico isolamento da realidade local.

Acredito que a lógica que deva informar nossos movimentos estratégicos é a da constituição de uma verdadeira escola de negócios, isto é, aquela que se torna referência em uma área do mainstream do mundo empresarial, tem excelente relacionamento com atores econômicos e institucionais, que desenvolve ensino, pesquisa e extensão de altíssima qualidade e que continuamente aumenta suas capacitações. Está mais do que na hora de fazermos essa opção! Como falei numa das reuniões do ano de 2006 (acredito que numa das que discutiram a extemporânea greve de Três Rios), o contexto em nossa volta e a “cara do Brasil” estão mais do que nos alertando caminhos que podemos seguir. Nosso curso está enraizado na área onde emerge a maior infra-estrutura logística da América Latina (portos, trilhos, rodovias) e temos um contexto em que a economia nacional é fortemente baseada no agronegócio. Ou seja, vamos nos tornar escola de negócio referência em modelos de negócios fortemente baseados em capacitações logísticas ou vamos nos tornar escola de negócio referência em análises do agronegócio mais orientadas à distribuição e consumo de alimentos? Ou então, que outra referência podemos ser que não seja essa de um Escplão de Administração de Empresas repleto de alunos? Esse posicionamento competitivo já está muito bem ocupado pelas escolas particulares.

Acredito que basta começarmos a focar objetivos de curto prazo, como o fortalecimento do mestrado e seus eventos (SIMGEN) e a recuperação da nossa pós-graduação lato-sensu, ainda que adaptadas às regras da Reitoria. Do contrário, jamais teremos condição de contrapor às insinuações de que colocamos as vantagens pecuniárias à frente de um fazer acadêmico nobre. Vamos estabelecer grupos de estudos, otimizar o uso de recursos do DCAC para dar conta dos congressos em nossa área, sei lá, vamos sair da inércia! Não podemos perder o momento. O que está nos acontecendo, que é muito mais resultado da falta de planejamento do que rivalidade política, não é o apequenamento do curso, mas o fim do inchamento. Vamos olhar para frente, é para o futuro que devemos ir. Do contrário, continuaremos a perder doutores, já que estes não encontram aqui clima diferenciado para ver suas ambições acadêmicas e profissionais satisfeitas.

Um forte abraço.

Marco Souza
26/04/07