Domingo, 19 Nov 2017
   
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Poesia e Prosa

 

As coisas

Corpo, minha delinqüência.

Desejo, minha solvência.

Busca. Procura. E a mente não pira.

Ande, mexa e transforme!

Pare, agora.

Rebole, leve-me ao êxtase.

Assim, não pare.

Agora vá! Devagar, mas não demore.

Chore mas não implore.

Exploda e entorne o corpo no ato.

Deslize. Suavize.

Muito prazer.

Grite!

Encolha, não recolha.

Escolha, mexa, contorça, mas, por favor, não distorça as coisas. É apenas uma tentativa de escrever uma poesia.

07/12/92 Biblioteca Central – UFRRJ.

Atualizado em 04 11 2008; 21 03 2010

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-----//--- marco bauhaus ---//-----


Doce, revolucionária inversão

Vamos inverter a regra e a agenda dessa história. A inspiração sempre me levou às páginas, numa revolucionária incursão sobre a matéria densa dessa vida. Agora eu levo páginas a você, minha inspiração. Receba linhas não menos revolucionárias para depositar sobre elas mais dessa vontade de viver com mais satisfação e de ter todas as réplicas do seu ser mulher à altura do que deseja e sente.

Doce inspiração, veja nessas páginas que agora recebe, um pouco do discurso universal do amor revolucionário. Quem sabe com elas não afinamos a língua do nosso discurso sobre o amor? Já que no discurso das línguas, onde nossos corpos formam as linhas dessa doce redação, somos bem afinadinhos.

Amor, leia nessa nova agenda que ora se apresenta, as palavras de uma nobre e imanente luta pela vida. Quem sabe não encontramos nelas inspiração para dar uma agenda nova a esta luta nobre pelo prazer que nosso encontro enseja a qualquer hora e lugar?

Vida minha, sinta nessas novas linhas o forte desejo de todos aqueles que entraram de corpo e alma nesse negócio de viver e revolucionar. Quem sabe não devotamos corpo e alma revolucionários para sair desse negócio de amar às escondidas que estamos vivendo?

Doce, revolucionária história da minha vida, assuma como suas essas palavras de quem nunca se distanciou do tenso jogo de corpo de lutar por meio da política. Quem sabe não nos inspiremos para fazer algo que vá alem da intensa política do corpo que tão bem fazemos quando estamos juntos?

Algo assim, sabe, escrito e vivido de corpo e alma, assumido, deliberado? Invertendo o que até aqui foi a tônica dessa história: nós dois vivendo a regra e a agenda da clandestinidade. Invertam-se a regra e a agenda, amor! Mas que essa história jamais deixe de ser docemente, essencialmente e, revolucionariamente, inspiradora.

setembro, 2009

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Viver a Paixão

Viver a paixão é como comer um raro bombom. Deve-se apreciar cada momento. A paixão não é para tolos e afobados, só para iluminados. Os tolos vão com tanta rapidez para comer, que não aproveitam o momento e, como loucos, ficam atrás de outros bombons, precisam satisfazer a louca compulsão, aceitando as mais superficiais emoções, como um docinho qualquer.

Para viver a paixão deve-se deixá-la fluir lentamente pelo coração, degustá-la como a um bom vinho. Deixar-se embriagar por seus doces aromas, calmamente, sem afobações, sem medo de se perder, e com a coragem de encontrar-se no outro.

A paixão é como a rosa, nasce e cresce embelezando nossas vidas. É frágil, sensível e singular. Para os tolos apenas uma flor; para o romântico a vida, o sonho, a felicidade. O apaixonado vive a rosa com carinho, dedicação e harmoniza-se com ela. Ele sabe que a rosa não é eterna, mas que ela deixa semeada na terra, novas e belas rosas. Enquanto a rosa está viva, ele confessa suas aflições, buscando superá-las fundindo-se à rosa . Quando não se suporta a incerteza da paixão, tenta-se abraçá-la, possuí-la, e acaba-se amassando as rosas.

12/08/1994

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


A pessoa certa

A música se esforça, mas não consigo vencer o medo. Estou preso, não sei o que faço. Parece o fim do desejo.

Não quero essa dor, quero o prazer que nos ensinamos a fazer e aprender. Quero você, quero eu, pelo menos mais uma vez por todas, quero nós.

Mande um recado, não me deixe em desagrado. Qualquer custo não serve de reparo. Você é meu anteparo, mas sem você paro. Não me deixe, não sei correr atrás do que não é meu.

Eu sou você. Sem você deixo de conjugar o verbo viver na primeira pessoa do plural. Qualquer pessoa não (ninguém) servirá para preencher o vazio do sonho destruído.

Minha droga é sonhar. O que fazer se tudo der errado? Sonhar é preciso, sonharei, mas quero você. Daqui a pouco tudo muda, posso vencer, mas quero você. Não quero esquecer. Pensando em você vou adoecer. Minha mente vai amolecer.

Não esquecerei que não posso estar com você. Vou me entorpecer da realidade que veio para me comer. Esse verbo é o sofrer, e conjugá-lo não é para mim nem para você.

Você é a primeira pessoa do meu singular prazer. Quero o amor plural da primeira pessoa que nós somos.

18/03/95, casa 494, Seropédica

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Amor sob pressão

Eu te amo, não me deixe arrasado. Não podemos ir embora: as ruas por onde passamos não me levam muito longe.

Não quero a solidão em muitos, prefiro a dois.

Não quero o profano, apesar de gostar do insano.

Quero a unicidade do amor que posso desenvolver, quero você. Quero os dias que gastei a sonhar que um dia poderia amar, viver e libertar a dor da alma a chorar.

Preciso amar, não me deixe, não se vá.

Onde está aquela magia, quando tirar a roupa era poesia, afogando em prazer nossas agonias?

O que faço com a minha agonia? Afogo-me nela ou faço poesia? É para valer, quero ajuda, qualquer um riria.

Fui atropelado pela agonia. Solidão? Tenho fobia. Não me agrada a folia. Você é meu dia, venha, sorria.

18/03/95, Seropédica, casa 494

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Indivíduo, qual é a sua? Só satisfação? Entregue-se aos nossos fantasmas e limitações. Tente, vivendo nosso não saber o que fazer e sentir, descobrir quem está com a razão.

Indivíduo, a negação da nossa fraqueza é a preocupação; nossas vidas, vendemos ao vazio quando fugíamos da solidão; nas vidas que geramos a partir da nossa anulação, só nós colocamos as mãos.

Indivíduo, não venha com a modernidade trazer prazer e satisfação às filhas que representam nossa resignação; como não podemos tocar, ninguém mais põe a mão.

Indivíduo, nada de discussão, suas palavras de ordem e ação são ameaças à nossa alienação; nada de libertação, não precisamos saber que só o acaso estende os braços a quem procura abrigo e proteção.

22/04/95

Juiz de Fora (casa do Almir).

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Joguei todas as fichas, sem medo, confiando nas cartas que tinha na mão e na vontade de ser feliz. Amei.

Entrei de corpo e alma. Entrei com toda a vontade do mundo, disposto a vencer todos os obstáculos, em nome desse sentimento. Senti.

Senti sem restrições, alimentei sonhos e esperanças, com resignação tal que não havia tempo e espaço para hesitação. Senti muito quando tudo mudou. Mudei.

Mudei e não pude evitar. De repente estava de novo comigo mesmo, colhendo os cacos do amor que se partiu. Mudei e não tentei evitar, vivi as mudanças integralmente, na alegria e na tristeza. Amadureci.

Amadureci e vi que não era tudo. Eu precisava mais, mais e mais a cada dia. Os fantasmas viraram poesia, estava carente, na dúvida se devia ou não alimentar novas fantasias. Descobri.

Descobri que de nada vale sustentar qualquer tipo de dor. Contra qualquer mal o amor. A esperança a cada manha renasce como uma flor. Para a vida guardo calor, tentando sem medo um novo amor. Ganhei.

06/05/95 Casa (494)

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Houve tempo em que uma chamada telefônica era sinônimo de felicidade.

Houve um tempo em que qualquer coisa, por menor que fosse, trazia alegria para meus dias.

Havia desencontros, barreiras, dificuldades que, por mais chatas e inconvenientes fossem, não afetavam minha vida.

Havia algo de especial no ar. Havia brilho, esperança, respeito e sonhos.

Há uma saudade no ar, uma lembrança cortante, um vazio.

Há um homem, um menino velho e indefeso, carente do que havia.

Houve sonho. Haverá luta.

29-09-95 Loja Bit & BITE, Seropédica

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Chove torrencialmente

Chove torrencialmente sobre a capital cultural do Brasil. As pessoas caminham com dificuldade, deslizam pelas calcadas e ruas em busca de proteção.

O cansaço e a fome não dão trégua, mas a cidade não para.

Chove torrencialmente e as pessoas não desistem. É preciso ir adiante: o que se tem não é o que se quer. O que se quer, e que não se tem como precisar, é o que se necessita.

Não podem parar, é preciso continuar em qualquer tempo. Não se pode perder tempo, é preciso buscar, embora seja pouco preciso.

Chove torrencialmente. É a única certeza. Ninguém para.

A velocidade diminui, o perigo é grande, mas tem que continuar, estão todos bem carregados, são muitos sonhos e frustrações para levar.

E não se pode parar, a carga é perecível. É a vida que se tem para levar. O frete é barato, mas os riscos são grandes.

A qualquer momento alguém pode roubar os sonhos.

O que fazer com as frustrações? É preciso descarregar.

Chove torrencialmente sobre a capital cultural do Brasil.

Começado na cidade do Rio de Janeiro, 29-09-95. Terminado na

UFRRJ, p1, Sala 21 Incremento em 23/12/2008

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Confissão

Apesar de tudo, não esqueci.

Apesar do tempo, distância, medo, desencontros, resistências e do não saber o que fazer ou dizer, acredite, ainda não esqueci você.

Acredite, apesar dos pesares, ainda sou vitima potencial de seus olhares. Ainda saio com a esperança de encontrá-la em todos os lugares.

Acredite, preciso esquecer você. Essa saudade me faz perecer. Se algum dia a encontrar não saberei o que dizer.

Apesar de precisar esquecer você, e de, às vezes, faltar esperança de mais a ter,

e de não mais saber o que dizer ou fazer, ainda gosto muito de você

Apesar de acreditar na esperança de que tudo vai voltar, não fiquei jogando cartas com os pesares e comecei a caminhar, para algum dia à frente de novo a encontrar.

Acredite, apesar de você negar a esperança de nos encontrar, de perecer, a outros se entregando, para me esquecer, de fugir para não me assumir.

Acredito, hei de conseguir, encontrar ou esquecer, para de novo sorrir, sonhar, e não mais perecer.

18/12/95

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Espaço de viver

O espaço é pequeno.

A vontade é grande.

A criatividade não está nem aí para o que possa caber aqui.

Não cheguei nem à metade.

Quero prosseguir para mais sorrir.

Quero criar, sentir, me iludir.

Sei que não cabe tudo aqui.

Mas não vou limitar-me pela aparente falta de espaço.

Basta prosseguir, a criação não terá fim.

Não será a falta de mais linhas que ditará o fim.

Para continuar, basta acreditar no sim.

A vida é assim, nada acaba por aqui.

Saquarema, casa do Fé, 24/02/1996

O espaço é cada vez menor.

A vontade cada vez maior.

A criatividade está em qualquer situação.

Basta começar.

Sem se preocupar se caberá ou se acabará,

Se fim haverá.

O fim não é para ser mensurado.

O importante é o meio, a duração, a situação em si, a emoção de tentar e de começar.

Os espaços são pequenos.

Diminuem progressivamente.

E enquanto progridem na diminuição, levamos a vida.

Fazemos as coisas.

Experimentamos a sensações.

Sem nos preocupar que talvez estejamos na última linha

Seropédica, Casa 494, 02/04/1996

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Brincando de viver

Quando criança, joguei bolinha de gude e soltei pipa.

Sempre brinquei com a vida. Brincar com ela era o que eu mais gostava.

Hoje é a vida que brinca comigo. Estamos sempre jogando. Jogamos em qualquer lugar, basta armar o triângulo. Se não, é bola ou búlica. Triângulo cheio, vazio. Durou. A vida busca longe, apela muito, dá uns gansos. Marralho sou rei! Ela faz a péla. Joga à vera, verdadeiro mata a mata, só para quando a latinha esvazia. É o que ela mais gosta: ganha e sai rindo da nossa cara.

Estamos sempre cruzando. Seu cerol é mais cortante, parece de pó de ferro. Ela entra com mais, com menos, por baixo e levanta, ou joga por cima, descarrega e segura. Ela arrasta longe, tem muita linha. Sou uma pipa voada. Ela corta no dedo. Vôo cheio de linha, agarrando aqui, alí, acolá, até que alguém me pegue e fale: tá na mão, é minha! Às vezes ela nos dá cabresto, corta e apara. Quando o vento está forte eu estanco. Tem vezes que não dá nem para subir, não tem vento.

Antes tinha revanche, e eram poucas as minhas derrotas. Fechava os olhos, chorava um pouquinho e, de repente, estávamos jogando de novo, cruzando novamente. Hoje não dá nem para reclamar - quando não falta coragem ou força, falta estímulo, bolinhas e linha para continuar a jogar. Parece brincadeira.

14/07/96

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Vim das minas e dos montes, sou feito de barro.

Moro no alto. Venta muito.

São meus vizinhos a lua, o sol, a madrugada, os grilos e a solidão.

Gosto de sentir saudade. Gosto da distância.

À noite, conto causos, desço o morro pelas lembranças.

Vento longe, não dá nem para imaginar.

Retorno para casa antes de o sol raiar.

Um novo dia é sempre um campo fértil para esperanças semear.

Esperança plantada é causo novo para contar.

Prefiro a discrição, mas os vizinhos sempre querem me ouvir e cantar.

Mas ninguém fala alto, pra modo de a gente não acordar.

26/08/96

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Refeitório

Com fome na cidade, o homem mata a fome da cidade.

A cidade com fome mata o homem e o come.

A cidade mata o homem de fome.

Cidade do homem com fome que mata.

Homem com fome na cidade.

Com fome na cidade do homem.

O homem com fome consome a cidade.

Homem da cidade com fome.

A fome da cidade mata o homem.

A cidade do homem que mata a fome.

A fome mata o homem na cidade.

A fome do homem na cidade que mata.

A cidade mata o homem com fome e come.

29/08 e 05/09 de 1996 ESPM (Teófilo Otoni, 44) e UFRRJ

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


“Acordar.

Tomar café

As linhas em branco representam o tempo perdido com o serviço e o deslocamento na ida e na volta

Ver televisão

Dormir. “

Resume-se a vida de um homem comum em poucas linhas. Às vezes ele faz amor, não é sempre. Outras vezes recebe visita, talvez joguem uma partida de buraco. As linhas da vida de um homem comum nunca aumentam, sempre diminuem, como a freqüência com que faz sexo. Uma vida em poucas linhas. Uma linha e poucas vidas.

30/11/96, Na casa do meu pai, um homem comum.

Ecologia, Monte Alegre, 18

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Sentindo falta

Sinto falta de rima, de ação.

Sinto falta da concordância, da idéia que surpreende.

Sinto falta da emoção.

Sinto falta do novo, das palavras que sensibilizam, das frases que afetam.

Sinto falta dos sonhos, dos sujeitos que inspiram, dos adjetivos que elevam, dos advérbios que nos fazem lembrar, dos verbos que nos fazem aventurar.

Sinto falta de vida.

Sentindo falta 1

Sinto falta de rima; da concordância; da idéia que surpreende.

Sinto falta da emoção.

Sinto falta do novo, das palavras que sensibilizam, das frases que afetam.

Sinto falta de sonhos, de sujeitos que inspirem, dos adjetivos que elevam, dos advérbios que nos fazem lembrar o quanto já vivemos e quanto ainda podemos viver.

Sinto falta dos verbos que nos fazem aventurar.

Sinto falta de vida.

03/09/97

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Sozinho e confuso, carregando sonhos e saudades.

E o homem pensando: Ah! Felicidade.

Há felicidade?

03/09/97

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Um inesperado e agradável surto de felicidade tomou conta de mim. Estou rindo à toa.

De uma hora pra outra fiquei leve, radiante, com a alma em êxtase.

Estou impregnado de felicidade, vertendo alegria pelos poros.

Há um doce aroma de satisfação me rodeando e que não me deixa parar de sorrir.

É uma sensação fantástica. Estou contagiante, irresistível.

Planto esperança em todos os lugares que lanço um olhar.

De minhas palavras, jorram emoção.

Inesperadamente feliz, como se não houvesse no mundo outra opção.

Um réu confesso do crime da felicidade recebendo em alto astral a sentença que me condena à alegria eterna.

Supergasbrás, Caxias, 10/10/1997

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Desça, Joana!

Desça, Joana! Venha dar vida a este salão. Deixe aos olhares de todos as curvas que quero percorrer com as mãos. Mas não entregue a qualquer um a feminidade que embala minha imaginação. Não profane os segredos da pele de onde brotam as partes mais sensuais da minha emoção.

Desça, Joana! Pois a intimidade já cobra atenção. Já não dá mais para ficar na distância, apenas no exercício da imaginação. Venha para a vida, para o risco do encontro! Quem sabe nossos olhares não se chocam em meio à multidão? Desça, você sabe, estou em suas mãos, seu olhar percrusta qualquer despretensão, desnuda qualquer intenção, deixou ferida aberta no meu coração!

Desça, Joana! Ocupe seu espaço, feche a ferida, não a deixe exposta, sangrando até que escorra a última gota desta emoção.

Clube Seropédica, 2000.

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Aniversário

Aniversário. Dia de Poesia.

Dia de adversidades, de sentimentos contraditórios e de reflexão. Dia de mãe.

Dia de ficar parado, de contemplar o que há de mais belo na natureza. Dia de emoção.

Dia de estar no mar, de descarregar todo resíduo de podridão humana. Dia de renovação.

Dia de prazer, das mais sugestivas sensações. Dia de mulher.

Dia de livros, de entrega da alma à aventura do conhecer. Dia de superação.

Dia de se apaixonar, de proporcionar aos cinco sentidos o melhor do viver. Dia de adoração.

Dia de silêncio, de oração e de meditação. Dia de solidão.

Dia de alegria, de estar com aqueles que nos fazem muita falta. Dia de amigos.

Dia de ação, de trocar palavras e idéias que instigam. Dia de criação.

Dia de fragilidade, de medo e de carência. Dia de filho.

14/03/2001

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Por que preservar nosso grande amor da traição, se da sua existência só restam lembranças? Se ele já não pode mais ser sentido, cheirado ou tocado; se já não faz mais parte do planejamento diário, das semanas mais que perfeitas, dos meses que ficarão para a história ou dos anos que melhor resumem a vida dos que amam.

Por que poupá-lo da dor, se a nós mesmo não poupamos?; se deixamos de dizer não em favor dos sim que muito pouco falavam do que sentíamos, pensávamos e poderíamos ser para aqueles que diziam nos amar e que nos devotavam seu tempo e sonhos em busca dos momentos mágicos que nos fariam felizes para sempre.

Por que não expô-lo aos angustiantes momentos que marcam todo o recomeçar?; se este faz parte da rotina de todo traidor; se recomeçar é o verbo que mais usamos em detrimento aos verbos viver e amar, em detrimento ao que merecíamos e ao que pediam os que nos amavam; se não restava mais nada a fazer pelo que não pedia para ser recomeçado, pelo que há muito jazia em nossa memória.

Por que continuar a ser o algoz de muitos e protetor daquele que nos faz sofrer?; se na vida não é sempre que é dando que se recebe; se só o acaso estende os braços a quem procura abrigo e proteção; se já não dá mais para crescer pela dor.

Por que não dar para o nosso maior algoz aquilo que ele nos oferece sem titubear?; se já não faz mais sentido preservar os segredos da pele; se já foram defenestrados os mais singelos votos de lealdade; se a saudade nunca foi a expressão da liberdade.

Por que não, viver, se já não se tem mais como morrer?

14 e 19/06/2001 Bairro do Engenho, Itaguaí.

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


A partida

(1ª tempo - sólido)

Mais uma vez em cima da linha. Espremido entre o voltar para o jogo e a parada para descanso. E o que é pior, à espera da decisão de alguém: Entrar ou sair a partir da ótica do outro.

Reflexões de uma bola. Visões de quem tem que rolar dentro das linhas regulamentares, das linhas que dividem o gramado.

Depoimento de quem não quer mais ser bola, de estar confinado às linhas e à espera de alguém.

(2ª tempo - gasoso)

Passei da linha, que bom! As coisas não terminam por aqui mesmo.

Poderia ter virado a página e descoberto mais linhas, mais chances de vencer a angústia da espremeção. Poderia romper com essa coisa de ver a vida sob o paradigma de uma bola, à espera de alguém que faça algo para, então, sair na foto.

Também poderia romper com essa coisa de aproveitar espaços curtos para me expressar. Espaços que jamais poderiam me conter e que nem de longe demonstrariam tudo o que posso ser.

(Prorrogação - líquido)

Rompi comigo, passei da linha.

Abri outro ângulo para me ver, permiti-me escorrer, assumindo uma nova forma, que flua lentamente, mas que transborde e inunde, ainda que existam bordas e margens que a comprimam.

Deixarei um espaço para começar a continuar.

31/07/2001 UBM, Barra Mansa

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Entre aparelhos e espelhos sobressai uma paisagem singular. Ela resiste à indiferença da ferragem retorcida para definir corpos alheios e à tentação de multiplicar-se narcisicamente até onde uma imagem pode ser refletida.

Sobressai ao vazio e ao tumulto que toda academia pode experimentar. Seduz e convida a desvendar mistérios que a imaginação leva a acreditar que nela existem. Os mistérios das palavras; do perfume que não cede ao passar das horas e ao calor dos movimentos; do toque malicioso e explorador aos mistérios que todo desafio de uma descoberta incita.

Sobressai e encanta, dando vida ao mais rígido movimento de um alter, fazendo com que o mais simples dos abdominais vire um instante de sensualidade.

Sobressai por toda sensualidade que sua simplicidade é capaz de despertar.

Sobressai e convida ao flerte, prendendo a atenção, direcionando os pensamentos de quem silenciosa e anonimamente desperta para sua singularidade.

2002

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Amar. Pode ser que quem for viver não verá. Muitos dos que já viveram não viram. E quem está vivendo já encontra dificuldades para ver.

 

O amor está se tornando coisa rara, escasso, e, por isso, cada vez mais precioso. Um bem para poucos? Uma experiência para iluminados? Ou apenas um hábito em desuso?

Como é ruim descobrir que não se usa mais amar, que amar é uma prática superada, uma idéia antiga, um ideal ultrapassado.

 

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Ora-pro-nobis Deus

Deus, orai por nós, pecadores da gula, aqueles não resistem aos apelos da arte de viver.

Deus, orai pelo pessoal que ama cozinhar, pecadores que não resistem aos apelos da arte de cozinhar e de servir.

Deus, orai por nós, pecadores, que não resistem aos apelos da arte de amar; e que esta arte se cristalize no saboroso encontro daqueles que adoram viver, cozinhar e servir.

Tiradentes, MG. 12/02/2002 – Restaurante Uai.

Ora-pro-nobis Deus (II)

Dizem que a vida é a arte do encontro, apesar dos desencontros. Que dizer, então, dos reencontros? Eles também têm sua arte, pois o reencontro é um passado feliz reclamando o reconhecimento da sua importância numa trajetória de vida marcada pela emoção.

Obrigado, Deus, por este reencontro entre nós gulosos, pecadores que não resistem aos apelos da arte de viver, e o pessoal que ama cozinhar, pecadores que não resistem aos apelos da arte de cozinhar e servir.

Deus, rogai por nós, pecadores, aqueles que não resistem aos apelos da arte de amar, e que esta arte se cristalize nos saborosos reencontros daqueles que amam viver, cozinhar e servir.

Tiradentes, MG. 13/01/2002 – Restaurante Uai.

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Vida sem emoções

Vida sem emoções é vida seca. É terreno mais que árido: é minado.

Quem tenta desbravar esse rincão de infelicidade corre o risco de desolação e de desintegração.

É vida sem passado. Quem olha pra trás vê sempre a mesma paisagem, já que os dias se repetem insistentemente.

É vida de um refém do agora, de um mero observador do relógio, e quem comanda são os ponteiros.

É vida sem futuro, vivida no horizonte de um dia. Não há planos ou visões para o que não seja o passar das horas.

Vida sem emoções é vida sem saudade. É vida de olhares, palavras e pensamentos inférteis, pois não fazem brotar esperança ou felicidade ao redor.

Vida sem emoções é uma autocastidade. É cela de prisioneiros da realidade. É vida com gosto de obviedade, sem surpresas ou novidades.

É vida monossilábica: é bom dia, boa noite e boa tarde.

UFSJ - Campus Dom Bosco, São João Del Rei – MG 11/01/05

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Viver, simplesmente viver

O que busco é viver, simplesmente viver. Não quero a pretensa previsibilidade de uma existência banal. Quero experimentar todas as ações que este verbo enseja.

Pelo pouco que avancei nesta jornada em que me encontro, sei que devo fazer esta opção. A outra opção, não conjugar, com dignidade e alegria, todos os verbos que integram este verbo supremo, não me levaria muito longe, ainda que eu muito envelhecesse.

Querer, apenas, não basta, eu sei. É preciso saber viver. E como todo saber envolve aprender, aceito sem medo todos os riscos que este processo de aprendizagem suscita. Aceito, sem lástimas, que um contrato está previsto: o de ser fiel, acima de tudo, a mim mesmo. Aceito que neste não há garantias, nem recompensas explícitas: elas têm que ser enxergadas, construídas por quem se aventura pela arte de viver.

Sei que aprender é verbo transitivo direto e que só, sem sujeitos e sem contexto, não diz nada. E quero aprender a aprender, para jamais correr o risco de esquecer e para não deixar de tentar viver quando a sua inerente imprecisão me marcasse com os desencontros que promove.

Aprender a amar, cuidar, apreciar, trocar, plantar, criar, enfim, fazer tudo o que se tem num viver pleno. No singular ou plural. Aqui ou em qualquer lugar.

Quero amar sem restrições e dentro das infinitas possibilidades que nos faculta esse sentimento de inclusão. E com tal intensidade crescente que ao morrer eu me sentisse uma nascente e não um decadente. Amar aos próximos e aos distantes, aos de laços de carne, instantes e sangue. Amar sem medo de não receber. E recebendo, ser grato mesmo que não recíproco.

Amor, simplesmente amor: ao outro e a mim mesmo. Vou plantar e cuidar para ver crescer, sustentavelmente, todos e tudo ao meu redor. Semear sonhos, idéias e sentimentos nobres e cuidar para que seus frutos alimentem de esperança a arida paisagem que uma existência banal dissemina. Plantar para ter sombra no continuar da caminhada.

Quero uma vida produtiva, onde a atividade criadora seja a tônica. Não quero o automatismo de uma rotina dedicada apenas ao meu engrandecimento material. Quero cuidar da minha dieta espiritual, aprender a apreciar o belo, o nobre e o inovador para que eu não morra de inanição pelo caminho.

Quero dar e receber, saber compartilhar para que no final de tudo eu só tenha comigo lembranças de que eu realmente vivi. Aceito esse desafio, ainda que o contrato tenha apenas uma observação: a de que tudo pode mudar e que nada é duradouro.

12/09/05

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Saudade deveria ser uma vontade: coisa que dá e logo passa. Poderia ser fácil de saciar, bastando pegar uma coisinha ou outra na geladeira, despensa ou gaveta. Bastaria abrir uma bala, pacote de biscoito, garrafa de cerveja ou barra de chocolate e pronto: matamos a nossa saudade de alguém.

Caso não tivéssemos nada em casa, pediríamos ajuda a um vizinho ou solicitaríamos entrega em domicílio. Poderíamos levar a saudade no bolso, já que um viver bem reclama comodidade. Ela estaria em nossas mãos, sob o nosso controle. Caso ela apertasse e nos pegasse desprevenidos, correríamos para uma loja de conveniência e pronto. Nada de surpresas.

Já que um viver bem também reclama versatilidade, coisa que a saudade não tem, na falta da original, pegaríamos um similar, marca própria ou genérico da saudade. Não precisaríamos respeitar o princípio ativo nem manter intactos os ingredientes e a fórmula original da saudade. O importante é estar curado, saciado.

Algumas saudades já nasceriam com prazo de validade estipulado. Quando o prazo de validade da saudade estivesse para vencer, voltaríamos onde as adquirimos para providenciar o descarte seguro deste material que pode ser altamente tóxico. E nada de troca. Acima de tudo, um viver bem reclama sustentabilidade.

Assim, quando nossa saudade não pudesse ser saciada prontamente, ela geraria um leve descontentamento e não uma tristeza danada.

2006

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Imagem

Chegou e logo foi capturado pela imagem.

Seus olhos já não obedeciam aos comandos do seu controverso desejo de não ceder à inconstância do seu próprio querer.

Seus olhos obedeciam aos comandos do seu desejo de se integrar àquela imagem. Era como se ele só voltasse a viver se sobre ele pairasse o brilho das cores que da imagem vertia.

Então, dominado que estava, olhava insistentemente na esperança de uma retribuição, um sinal qualquer que da imagem viesse significando acolhimento.
Um sorriso. Aceno. Brilho. Uma manifestação qualquer que dele fizesse sumir a culpa por ser como era: errante aventureiro.

A espera e a insistência do olhar faziam sentido. Sua alma e pele ansiavam por aquele reencontro, por todo aquele sedutor processo de ver-se envolvido pela dominadora exuberância.

Vacilante e vitimado como todo culpado. Esperançoso de que no calor daqueles momentos pudesse jogar-se sobre aquela aurora. Aurora que deixava todas as vezes que seu desejo de buscar, ao mundo o lançava.

Calado, sem resposta ficou olhando a imagem que dele não precisava para continuar imagem. Esquecido, porém não derrotado, teve naquela solidão circunstancial tempo para refletir sobre a real necessidade de lançar-se tanto à vida. Se de toda imagem que deixa, nela fica pequena ferida. Se ele, que sempre parte, na estrada não passa de mais um pedaço.

04/05/06 UFRRJ - Campus Três Rios – Valter Franklin

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Milton que me chega na voz que arrepia e faz carinho, que me põe a sonhar, que me faz querer viver pelo menos mil anos ouvindo canções da américa, dos meninos, dos amigos da esquina, dos estudantes, dos que se encontram e dos que se despedem.

Milton que me chega na melodia dos ventos que nascem nos morros daquelas minas. Ventos que me põem na estrada, na travessia solitária e solidária dos que vivem a se caçar, como se só nos encontrássemos se nos próprios corações entrássemos para tirar lá do fundo o ouro da fé na vida.

Milton de todas as canções: das que cabem e não cabem dentro de nós; das que nos poesiam e nos proseiam; das que choram, sorriem, gritam, murmuram e suplicam por vida; das dos que cantam, tocam , escrevem ou apenas ouvem.

Milton de todos nós. De coração mundial, coloração total, de entrega especial ao ofício de nos fazer felizes.

Milton que me chega em voz todas as vezes que sinto qualquer emoção, que busco solidão, inspiração, e paixão.

Milton que em voz me leva à nascente, que nos versos nos faz crescente. Locomotiva azul que nos põe sempre à frente. Milton que me faz querer ir para onde ele for, que me faz viajar, me ensina a chegar e partir, só para de novo ouvir aquela voz cantar tudo o que eu quis fazer por amor.

11/06/2006 Apto do Rocha.

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Três Rios

Vão, sigam seus rumos, cumpram suas sinas!

Queria estar sempre com vocês, mas não posso contê-los: são grandes demais para percorrê-los com meus olhos. Mas cabem todos em meu coração.

Aqui a gente se encontra, e que vocês continuem cumprindo dignamente sua trajetória sinuosa por tantos vales e montes.

Eu sigo minha viagem, um mero observador acampado à beira de um pedaço dos seus extensos leitos confessando o prazer de conhecê-los.

Não tenham medo, passem pela vida com a grandeza que Deus lhes deu.

Porque vocês não nascem, brotam; nunca morrem, desaguam.

Nascem em gotas e vão crescendo, crescendo, crescendo até virar mar.

Vão, quero que vocês fluam sem que a ação do homem mude seus cursos por motivos banais!

E se tiver que mudar o curso, que vocês sejam sempre vocês, sempre Três Rios.

Sejam sempre a fonte de inspiração e vida de todos que encontram vocês pelo caminho.

Não desistam nunca de fluir, pois quando vocês secam faz a gente sofrer, chorar, desesperar.

Em seus leitos vai brotando vida.

Vão, acolham aqueles que vão pescar em vocês o alimento que faz viver!

E que de vocês se utilizam para ensinar, compartilhar ou relaxar.

Vão, irriguem a terra que fará novos sonhos brotar!

E que Deus nos faça forte para enfrentar o momento em que vocês chorarem.

Vão, sejam mansos e profundos na medida certa!

Quando tiverem que ser caudalosos que seja apenas para ensinar.

Que vocês sejam sempre cuidadosos com aqueles que mergulham em vocês para se autodesafiar.

Vão, sigam seus cursos, e que minha viagem me faça de novo os encontrar!

27/02/07

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Ana Carolina

É tarde quente. Outra daquelas de desanimar a alma, e que automaticamente nos remete à imagem de momentos gostosos e distantes da nossa vida, onde tudo acontece como queremos e os quais muito queremos que nunca acabem.

A sala de trabalho está cheia. Um grupo de pessoas se reúne em torno de uma tela de computador. Ana Carolina tira os olhos da tela, movimenta seu corpo para o lado e fica sentada em sua cadeira, em silêncio. Parece observar o grupo. Mas seus pensamentos estão longe, e seus olhos seguem esta direção. Enquanto ela olha para o nada, seus dedos vão percorrendo seus longos e lisos cabelos. Delicadamente ela deixa o corpo moreno e magro repousar sobre o encosto.

Todos falam sem parar. Ana e eu somos pura contemplação. É uma fotografia contrastante. De um lado, o trabalho e sua natureza óbvia, rotineira e insossa. O trabalho em sua pose única de algoz da emoção. Do outro lado, Ana Carolina e a misteriosa natureza feminina. O charme e a beleza da mulher a serviço de uma vida mais gostosa. Tudo em Ana é expressão: o olhar distante, o corpo arqueado, os cabelos sendo alisados, a respiração controlada, os pés mexendo-se vagarosamente sobre os pés da cadeira de rodinhas. Tudo em sintonia, nada fora do compasso que seus pensamentos imprimem. Ela põe as mãos para cima e logo se pronunciam os músculos da barriga. A camisa estica e marca os contornos de um mapa que nos convida a imaginar momentos que não podem jamais acabar. Os pés deslizam e suas coxas se avolumam. O jeans se estica e revela, através daquelas pernas lânguidas e harmônicas, outras partes do mapa que nos leva aos tesouros da vida.

Aqui estou, ocioso, aventureiro, explorador solitário, capturador de imagens, expectador anônimo desse momento da magia cartográfica que nossos corpos revelam ao mundo. Momento em que uma mulher se deixa fotografar enquanto revela, da maneira mais simples do mundo, o que é uma mulher.

11/04/07, Casa 9, Seropédica.

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----


Óbvio

Embruteci. Emburreci.

Dias sem criação, canção ou adoração.

Dias de ação na direção do óbvio que entristece.

Dias de obra.

Dias de consumidor, bebedor e comedor.

Engordei o corpo. Desnuntri a alma.

Alimentei-me das horas do dia, dos seus acontecimentos, esquecimentos, engarrafamentos, desentendimentos e desalentos.

Comi os dias, mas parei no tempo.

Obstrui a visão.

Prendi as mãos e o nariz no agora.

Joguei meus ouvidos fora.

Na boca o gosto de nada do óbvio.

26/02/2007 - Casa 9, Seropédica. A primeira criação

feita nessa casa. Isso após 12 dias afundado numa obra,

o império do óbvio. São 02h00min da manhã. Preciso dormir. É óbvio.

 

-----//--- marco bauhaus ---//-----

 

Amor, quando estou sentindo amor, é quando mais sonho, quando mais vislumbro coisas boas nos momentos que estão por vir. E sinto este amor na intensidade que no agora arrebata-me, do que já foi faz-me esquecer, e ao que ainda virá facilmente lança-me em sua direção, dando-me a gostosa sensação de que somos nós quem criará o que ainda temos a viver.

Amor, quando amo é quando mais imagens produzo e mais energia resguardo para transformá-las em fatos, vida intensa, e gostosamente vivida, recheada do que tanto solicita o viver para realmente ser digno.

Amor, quando amo é quando mais recheio quero dar aos dias, horas, minutos e segundos que contem e delimitam esta minha passagem pela vida.

Amor, quando estou sentido amor, é quando mais sabor tem esse recheio que, ainda que eu ouse acreditar, não somos eu e você, os únicos a preparar.

03/01/2012