Domingo, 19 Nov 2017
   
O Diarista PDF Imprimir E-mail


Um dia comecei a escrever. Isso me fez muito bem,  a ponto de ter deixado em mim o desejo de tornar-me, quem sabe, um escritor. Nesta seção compartilho meus singelos escritos, pequenos poemas e poesias, muitas digressões.


Tudo começou na adolescência, lá pelos 1987, aos 16 anos. Em um domingo desses da vida, eu peguei um caderninho e comecei a escrever o que me marcava na fala das pessoas. Essa prática comezinha durou um bom tempo. Depois comecei a depositar em papéis minhas impressões com a vida, o resumo dos meus dias e as idéias que me surgiam. Quando dei conta, eu já era um diarista, um homem com diário! Algo tão forte que, em 1996, eu escrevi sobre todos os dias do ano, centenas de páginas a espera de digitação.


Acredito que o diarista emerge como resposta a um certo estranhamento com a vida que sempre me acompanhou. Eu nunca estive muito a vontade nessa vida. Sempre me fez companhia um desconforto existencial. Nada que me deprimisse, mas que gerava em mim um enorme vontade de viver outra realidade. O ritmo da vida em Seropédica, a rotina da vida que levava, me incomodavam demais, pois o que eu fazia e tinha para viver nunca foram ao encontro das minhas motivações, que, naquela época, não estavam tão claras para mim, mas que me reclamavam atenção. Com o tempo, e suas transformações sobre a dinâmica da minha família, esse estranhamento foi crescendo. De repente, em poucos anos, eu deixei de ser o jovem de 9 anos que adorava dançar música caipira nos encontros da família, para ser o cara de 14 anos que adorava os Beatles e sua rebeldia, e criticava tudo a minha volta. Mais a frente, com 17 anos, eu elegia Travessia como a música que melhor descrevia a intensidade dos meus sentimentos.


Eu queria empolgação, embalo, queria dar vazão ao sopro de vida que me deixava em polvorosa. Em 1987, entendi o seguinte de um texto que li: o ser humano precisa se sentir produtivo, não em relação a organização em que trabalha, mas em relação a empresa do viver. Era isso que eu queria: uma vida produtiva em todos os sentidos. Mais tarde descobri em um teste vocacional que eu tinha perfil orientado a criatividade, e que poderia me sair bem nas artes, etc. Sim, eu queria criar algo, ver chegar ao mundo algo que brotasse das minhas capacitações, não queria estar associado ao trabalho em escritórios, lojas ou fábricas, a tarefas repetitivas.


Com o passar do tempo fui colecionando meus textos, usando este oficio vacilante e denso como válvula de escape. Vacilante, pois, por alguma razão (baixa auto-estima ou muito bom senso), nunca dei ênfase ao ofício, a ponto de empreender a empresa de ser um escritor.


Agudas crônicas

Consenso de bar

A marca de batom