Domingo, 19 Nov 2017
   
O professor PDF Imprimir E-mail

Nesta parte compartilho alguns dos meus projetos e idéias e os desafios de ser professor. Espero que todos entrem aqui e deixem sua contribuição.

A minha identificação com a área de marketing foi imediata e ainda é muito forte.  Gosto muito do pensamento e da prática do marketing, com as quais me relaciono desde 1989, quando ainda era estudante de segundo grau. Evidentemente que nos primórdios desse relacionamento, marketing e propaganda eram sinônimos para mim. Conforme fui fazendo cursos, lendo livros e revistas, aumentei meu conhecimento, associando marketing a uma estratégia funcional que oferece suporte fundamental para boas estratégias de negócio.

O primeiro contato aconteceu de maneira bem inusitada. Estava no segundo ano do CTUR, e tive muita dificuldade com a disciplina Criações, especificamente com suinocultura. Lembro-me que o professor da disciplina promoveu uma prática de abate de suínos, mas eu não consegui abater o animal. O professor, muito sincero, me disse: “meu caro, você não tem a mínima queda para a área de produção de animais. Sua chance é passar na recuperação, prova teórica”. Dias depois ele me aparece com uma revista e diz: “você deve ir para a área de comercialização. E o futuro dessa área é o marketing. Leia essa revista”. Foi afeto a primeira lida! O impacto foi fulminante. Comecei a ler sobre a área, e este episódio levou-me a escolher o curso de Administração para continuar os estudos, e não o curso de Agronomia.

Entrei na faculdade querendo aprender mais sobre marketing, pois queria ser um bom estrategista. Direcionei tanto meus estudos para essa área, que negligenciei uma boa formação de Administrador. A carreira em empresas não durou muito, emergindo a figura do professor, da qual muito me orgulho, apesar de ter negado várias vezes uma presumida vocação que muitos me diziam estar na cara.

Tornei-me professor em 1999, como professor voluntário, na UFRuralRJ, atuando em turmas de marketing. Foi amor a primeira aula! Minha primeira aula marcou definitivamente meu jeito de pensar e aplicar aulas. Não tive tempo para tornar a aula conceitualmente mais rica, o que me fez capitalizar os esforços em demonstrar exemplos práticos da ação de marketing. A recepção foi tão boa, que os alunos relevaram minha falta de presença de palco e de didática. Não tive mais dúvidas: quis ser professor. Começou uma corrida intensa para titular-me e consolidar-me como professor. Fui dar aula no UBM, em Barra Mansa, na FACNEC, em Itaboraí, aprendendo bastante. Em 2002, passei no concurso para professor da UFRuralRJ.

Dando aulas encontrei minha missão nessa vida: contribuir para o crescimento do outro. Quando entro em uma sala de aula, estou impregnado pela minha missão e atuo com a intensidade necessária para que a experiência seja marcante. Gosto do desafio de educar, e assumo:

Sim, vale a pena ser educador. É uma escolha importante sobre o que fazer com a vida que temos pela frente. Quando a olhamos em perspectiva, isto é, quando tentamos dar conta do tempo que Deus nos dará o direito de percorrer (ou nosso devir), percebemos que queremos fazer algo que nos torne mais alegres, importantes, produtivos, criativos, satisfeitos e recompensados. Queremos aproveitar esse "direito" de maneira mais intensa, enfim, que ele seja marcante. Dos “fazeres” que o homem inventou para aproveitar esse "direito", o fazer da educação é o que mais gera oportunidades para que nos tornemos mais alegres, importantes, produtivos, criativos, satisfeitos e recompensados. Por mais complexo e mal gerenciado que seja esse fazer da educação, ele é o único em que gastamos recursos para produzir algo que não será uma mercadoria a mais ou que gerará resíduos que vão comprometer o devir do mundo. O que produzimos no fazer da educação é algo que vai repercutir positivamente, vai reverberar continuamente, tomando a forma de idéias, atitudes, comportamentos e práticas que tornam o "estar aqui e transformar a si mesmo" em uma experiência fantástica.