Sábado, 18 Nov 2017
Banner

Usuários Online

Nós temos 6 visitantes online

Usuário cadastrado



   
PDF Imprimir E-mail

De outras ocupações da UFRRJ

Duas das coisas que marcaram profundamente minha graduação em Administração de Empresas na UFRRJ foram a inexistência de uma Empresa Junior e de um clima e espírito empreendedor pujantes por aqui, e que denotassem que a UFRRJ estava orientada para a realidade externa e iria ocupar o significativo espaço simbólico que a Sociedade historicamente a devota. Falo dos 1991 aos 1994, época difícil, pois, na comunidade "Curso de Administração", só tínhamos o Diretório Estudantil como oportunidade para ter uma experiência de universidade diferenciada. Fizeram muita falta, mas também não fomos tão empreendedores quanto precisávamos e poderíamos ser. Sobre as Empresas Juniores, muita coisa mudou desde então. Sobre o clima e espírito dessa Universidade, muito ainda há para mudar.

Acredito que uma Universidade que oferece à sociedade a promessa de graduar em Administração de Empresas precisa necessariamente ter intimidade e proximidade com a realidade social e econômica da região que abrange. Mais: ela tem que ter uma intencionalidade deliberada de, junto com os atores políticos, sociais e econômicos, desenvolver projetos que contribuam para a transformação positiva dessa realidade. Intencionalidade estabelecida sobre a posse de competências, capacitações e recursos efetivos para formar um profissional em gestão. Enfim, uma Universidade tem que ocupar simbolicamente a sua área física de abrangência e oferecer opções de projetos, programas e planos para que ela mude. E isso faz parte da natureza da área de saber e de sua ideologia; é uma condição essencial para produzir e compartilhar conhecimento da matéria chamada gestão.

A UFRRJ ainda caminha lentamente em direção das necessidades do seu entorno e da assunção de que ela tem uma imensa área de Ciência da Gestão e que esta tem que estar próxima à realidade externa e livre dos excessos de interpretações e amarras de outras vertentes ideológicas presentes na Universidade. Essa lentidão ajuda a explicar a chegada, apenas em 1997, da MultiConsultoria (nome atual), Empresa Junior de Administração e Economia. Também ajuda a explicar o baixo nível de inserção de docentes da área de gestão em pesquisa, extensão ou conselhos de organizações dessa área de abrangência. É importante observar que há um entendimento comum na academia de que, na área de gestão, a baixa inserção na realidade econômica e social, por parte de uma universidade pública, tem a ver com a dedicação à pesquisa. A área de gestão da UFRRJ também não tem altos índices de produção em pesquisa. Faço parte dessa realidade, também sou responsável por isso, pelos baixos índices. Também não é privilégio da área de gestão da UFRRJ essa situação. Outras áreas de saber presentes nela, e com a mesma vocação, também estão distantes da realidade social e econômica da área de abrangência. Fundamental: é possível pensar, planejar e executar a ocupação disciplinada, por parte de áreas de saber da UFRRJ, do espaço que a Sociedade a elas devota. Bastar repensar os dispositivos institucionais e traços culturais que hoje inibem o ímpeto dessa ocupação. Estes são mais impactantes que os problema infra-estruturais, por exemplo.

Temos a necessidade de transformação de paradigmas e aspectos culturais aqui na UFRRJ para obter transformação no padrão comportamental observado entre nós, docentes, principalmente das áreas com potencial para inserção objetiva na realidade social e econômica. Uma maneira oportuna para fomentar isso é a proximidade com Empresas Juniores e o desenvolvimento de atividades. Os docentes precisam estar mais próximos e os estudantes precisam cobrar essa proximidade dos docentes, Departamentos, Diretorias de Instituto e da Administração Superior, inclusive. Esta precisa ter uma assessoria que cuide da relação com Pólos Tecnológicos, Incubadoras e Empresas Juniores. É um exercício difícil e demorado, fazer essa cobrança. Mas os resultados são expressivos: é visível a diferença de comportamento, atitude e expectativa de futuro entre um aluno associado a uma Empresa Junior e um aluno sem associação a esse movimento. Uma pesquisa mostraria isso com mais detalhes.

Aliás, se atualmente um aluno entra na Universidade e não se associa à Empresa Junior, Iniciação Científica, Grupo de Estudo, Diretório Estudantil ou qualquer outro movimento, ele entrará e passará despercebido, isolado, desamparado, uma escolha muito arriscada, em termos profissionais e sociais. E se sua "Comunidade de Curso" tem muito pouco disso, ele tem que cobrar da Coordenação, do Departamento e da Diretoria do Instituto uma mudança de comportamento. Logo, isolada e desamparada também está a "comunidade do curso" que assim se encontra, necessitando esta de uma ocupação simbólica imediata. É indiscutível que esse abandono de espaço nas "Comunidades de Curso" - a pouca vitalidade e as poucas iniciativas - é reflexo direto do relaxamento da Dedicação Exclusiva (dispositivo institucional) e da cristalização do hábito (ou zona de conforto) de vir muito pouco à UFRRJ e só dar aula, sem desenvolver produtos de pesquisa e de extensão. Sem o envolvimento do professor, a experiência de universidade presencial é frustrante, empobrecida.

Podemos observar a positiva diferença de comportamento e atitude dos alunos associados a Empresas Juniores pela quantidade delas que emergiu nos últimos anos, apesar do marasmo da UFRRJ em relação à realidade social e econômica da área que abrange e dos problemas que ela enfrenta internamente e que estimulou a ocupação da Reitoria. Problemas que, no meu entendimento, é uma responsabilidade compartilhada entre Administração Superior, Diretorias de Institutos e Departamentos. Pois onde se tem a autonomia como valor basilar, princípio, a transferência de responsabilidade, o “tirar o corpo fora”, o não envolvimento e o "lavar as mãos" são pecados capitais. As coisas não chegam ao estado em que chegaram aqui dentro da UFRRJ, sem que houvesse consentimento tácito de todos os segmentos e o abandono do salutar e democrático processo de negociar e produzir consensos.

Esse comportamento sem envolvimento real, a pouca presença no fazer diário e a não criação de sentimentos compartilhados sobre como produzir mais e melhor, faz-nos negligenciar um ciclo virtuoso. Se o curso não está bom, os alunos precisam incitar a Coordenação. Esta precisa incitar os Departamentos e Institutos, os grande fornecedores de conteúdo, tecnologia e espaço físico para os cursos prosperarem. Estes, por sua vez, precisam ter suas metas, necessidades e expectativas dispostas em planos e incitar a Administração Superior e os órgãos de fomento a atendê-las. Por outro lado, se vir mais de dois dias à UFRRJ é complicado e custoso, devido às condições de acessibilidade e mobilidade, é preciso incitar à Administração Superior, fazendo-a sair da inércia e mover-se em direção aos problemas que afetam a região em que ela está inserida, negociando e produzindo soluções e consensos que não sejam simplesmente abrir um ponto de ônibus perto do CAIC. Pois, vale refletir, as péssimas condições de acessibilidade e mobilidade para chegar a UFRRJ não chegaram onde chegaram sem que houvesse um consentimento tácito da UFRRJ, dado que isso é assunto estratégico em toda organização do porte dela. No caso dela, afeta todos os envolvidos em viabilizar a experiência de universidade: funcionários e alunos. Os valores, caminhos e dispositivos para a incitação e negociação e produção de consensos são conhecidos, institucionalizados. É um erro abandoná-los.

Apesar de tudo, muitos alunos estão criando novas realidades por meio das Empresas Juniores. Eles estão envolvidos, "sujando as mãos", estão “pondo o corpo dentro”, fazendo brotar chances reais de aprendizagem diferenciada e dicas sobre como aproximar, de maneira disciplinada, a UFRRJ da realidade externa. Esses alunos são empreendedores e estão fazendo uma ocupação simbólica da UFRRJ. Ao seu modo, eles fazem a verdadeira ocupação que a UFRRJ precisa: a ocupação mais do que necessária da zona de conforto em que se encontram muitos dos docentes, Departamentos, Diretorias de Institutos e Conselhos dessa Universidade. As Empresas Juniores precisam de espaço real - físico - e simbólico para prosperarem, e essa zona de conforto ocupa muito espaço. Os desafios são muitos, pois o déficit de espaço físico é real em alguns lugares, mas pode ser superado, no longo prazo, com a criação de projetos e, momentaneamente, com o uso inteligente dos espaços disponíveis, os físicos e virtuais. Há também a necessidade de presença efetiva dessas organizações - Empresas Juniores - no Estatuto e Regulamento, para que participem do processo de tomada de decisão sobre os rumos e uso dos recursos dessa Universidade.

Vale a pena conferir o que as Empresas Juniores da UFRRJ estão fazendo, como mostram os links abaixo. Outras estão surgindo. É uma boa viagem que faremos, em poucos cliques, por um território de empreendedorismo, vitalidade e rico em negociação e produção de consensos. Vamos contribuir com essa ocupação, vamos ajudar nessa oxigenação que precisam receber Departamentos, Institutos e Conselhos da UFRRJ. Ao nos envolvermos com uma Empresa Junior, também estamos ajudando a mudar a UFRRJ, mesmo que sejamos de fora dela, da área física e simbólica que ela precisa ocupar.

 

Marco Souza Bauhaus

28-03-2013

 

 

https://www.facebook.com/cetajrconsultoria

http://www.facebook.com/mensurar.ufrrj?ref=ts&fref=ts

http://www.facebook.com/CeresJr?fref=ts

http://www.facebook.com/nucleoengenhariajr?fref=ts

http://www.facebook.com/multiconsultoriaej?fref=ts e http://www.multiconsultoria.org.br/

http://www.facebook.com/consultoria.zootecnica?fref=ts e http://www.vitaljr.xpg.com.br/

http://www.facebook.com/flora.empresajunior?fref=ts e http://florajr.org.br/

http://www.ufrrj.br/agrojr/

http://www.facebook.com/XportUFRRJ?fref=ts