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Diferentes maneiras de ver e pensar o Ensino a Distância (EaD)

Por Marco Bauhaus, em 17-02-2013.

O EaD, Ensino à Distância, cresce progressivamente no país, mas ainda há muito ruído influenciando o real entendimento do que ele é, como é viabilizado e vivenciado pelos alunos e professores, e o que, afinal, ele representa para o mundo do ensino e da aprendizagem e para a formação de profissionais qualificados. É anacrônico que alunos de EaD continuem como invisíveis em nossa sociedade, vítimas de interpretações equivocadas e distorcidas por valores morais insustentáveis e por desconhecimento da sua essência. Ironicamente, o que é invisível nessa modalidade é o que a torna mais preciosa. Basta olhar o bem sucedido caso do Consórcio CEDERJ, no Estado do Rio de Janeiro. Aqueles que apreciam a arte e a ciência da gestão encontram no EaD elementos importantes para enriquecer seu painel de visibilidade sobre esta desafiadora temática.

 

Além do desconhecimento, preconceito e informação não qualificada, ocorrem episódios negativos envolvendo essa modalidade de ensino, e esses ajudam a piorar a situação. Sim, já existem escândalos. Sim, nem todos os cursos existentes nessa modalidade no Brasil tem a robustez do CEDERJ. Entretanto, precisamos avançar no conhecimento, entendimento e acolhimento dessa modalidade, de preferência na mesma velocidade com que ocorre a sua disseminação. Principalmente, na área de Administração de Empresas, uma das que mais avançam.

Aqui no Rio de Janeiro, especificamente, precisamos aumentar a consciência sobre a modalidade EaD entre estudantes, profissionais atualmente empregados e responsáveis pela contratação de novos profissionais e entre empreendedores, dado que eles definem muitas contratações. Contratar um profissional formado à distância e inseri-lo dentro de um ambiente organizacional tem que se tornar um evento comum, e não uma excepcionalidade, dado que o que difere essa modalidade da modalidade presencial é o método de estudo e a visibilidade dos seus demais recursos críticos, não as características pessoais dos estudantes, isto é, aqueles atributos fundamentais que geralmente utilizamos para a contratação de um novo profissional. O aluno de EaD não é inferior ao aluno do ensino presencial.

Se aprofundarmos o olhar sobre os que optam por essa modalidade, talvez vejamos razões para apreciar bastante o aluno de EaD, e se envolver ainda mais com sua evolução e consolidação. Por exemplo, em todo manual ou guia do aluno de EaD estará uma advertência como a que segue: “o aluno de EaD precisa ser muito disciplinado, autônomo e motivado, para que supere os desafios durante o processo de formação”. É inequívoco que essa advertência se aplica a todos os indivíduos e em quase todas as circunstâncias da vida, especialmente aquelas ligadas à determinação de objetivos na vida, e ao empreendimento de esforços e recursos para alcançar os mesmos. Neste ponto, devemos avaliar que o que diferirá o aluno EaD é a constância e especificidade de ocasiões e a profundidade com que esses atributos psicológicos e comportamentais serão solicitados.

Um aluno de EaD lida todos os dias com uma realidade crítica: uma vez que a tecnologia da modalidade apresenta para ele um mapa e os recursos – livros, tutores e plataforma de acesso –, ele é o mentor, executor e líder da própria jornada. Ainda que tenha pessoas ao seu lado, ele está sozinho nessa empreitada, seu principal companheiro é ele mesmo. Algo bem diferente do ensino na modalidade presencial, onde o aluno geralmente conta com a presença dos colegas e de toda estrutura física, lógica e humana pensada e disponibilizada para o processo de formá-lo. Em todo o processo de formação, é altamente solicitado de um aluno de EaD a confirmação de um padrão emocional e comportamental de uma pessoa diferenciada em termos de disciplina, autonomia e motivação. Sim, pode-se dizer que eles estão acima da média em algo que é solicitado de todos nós.

Outra excelente maneira de entender o que é a modalidade EaD e a sua importância para o desenvolvimento econômico e social, está na sua lógica de funcionamento e nas especificidades dos recursos utilizados para viabilizá-lo, tanto os materiais quanto os humanos. As duas modalidades funcionam com inteligência específica para dar conta de dimensões críticas da experiência de academia ou de ensino e aprendizagem como um todo: acolhimento, permanência e produção. Comecemos a analisar que a modalidade de ensino presencial tem toda sua estrutura física, lógica e humana visível e bem próxima para acolher diariamente os profissionais e os alunos, viabilizar a permanência deles nos horários e locais previamente marcados, e promover o encontro onde o processo de formação do aluno, a dimensão produção, ocorre.

Na modalidade EaD essas dimensões são contempladas por meio de uma outra inteligência de processos e tem sua maior parte invisível. No CEDERJ, os alunos são acolhidos e permanecem nos Polos (espaço oferecido pelas Prefeituras) para onde se inscreveram para estudar quando fizeram o vestibular. Para lá eles vão geralmente aos finais de semana, onde encontram os colegas de turma, os tutores das disciplinas, o tutor coordenador do processo de tutoria, os livros (aulas) do curso e a biblioteca. Para lá eles levam suas dúvidas (que também podem ser retiradas pela plataforma ou telefone); encontram os profissionais que vão orientá-los em cada disciplina do semestre; entregam, quando for o caso, as avaliações feitas à distância. No Polo, sempre em datas previamente marcadas, eles fazem suas avaliações presenciais. Como visto, na maior parte do tempo, eles estão sozinhos no processo de produção, na contemplação dos objetivos aos quais se propuseram alcançar.

Os livros didáticos, ou as aulas das disciplinas que eles cursam, chegam preparadas num formato e linguagem que favorecem o processo de aprendizagem. O livro praticamente conversa com o leitor. Ou seja: parte significativa da dimensão produção no EaD ocorre à priori, é invisível aos nossos olhos. Para que isso aconteça, o EaD conta com uma robusta e cara coleção de recursos e capacidades críticas para a formação acadêmica. O conteudista, professor de uma Instituição de Ensino Superior (IES) e aquele que escreve o livro, faz o aporte de conceitos e prepara o roteiro de apresentação. Ele interage com profissionais de revisão de texto e pedagógica para colocar as aulas na linguagem apropriada, sendo avaliado constantemente. As aulas são enviadas para núcleos de editoração gráfica onde encontram-se profissionais altamente capacitados para propor e executar a arte final das aulas. Prontos, eles são impressos e disponibilizados em todos os Polos. Os coordenadores das disciplinas, professores das IES, interagem com os alunos pela plataforma. Cada Coordenação de curso tem uma sede, ou Polo a distancia, onde ficam os tutores à distância.

Todos esses processos geram um fluxo complexo que demanda uma capacidade única de coordenação de recursos, capacidades, competências e atividades, esta possuída e muito bem apresentada pela Fundação CECIERJ. Com relação ao curso de Administração EaD oferecido pela UFRRJ, e do qual faço parte, este é de altíssima qualidade, refletindo com clareza as mesmas características gerenciais e técnicas encontradas na Fundação CECIERJ. Para tanto, basta buscarmos no Portal TECA (http://teca.cecierj.edu.br/) os livros do curso de Administração do CEDERJ. Veja os livros e comece a percorrer toda história desse curso que já tem mais de 7 anos de existência.

A riqueza de recursos, competências, capacidades técnicas e gerenciais da modalidade, somada aos conhecimentos adquiridos e às características emocionais e comportamentais dos alunos formados pelo EaD, tornam anacrônica qualquer ação demeritória contra esses alunos e a modalidade. Precisamos saber mais sobre o EaD. Precisamos mudar a maneira de ver e pensar o EaD.