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De olho no futuro: é lá que devemos estar.

Por quê? Porque se nada impedir, nos tirar dessa vida antes do esperado, é no futuro que estaremos. Logicamente, iremos até onde Deus ou nossas escolhas permitirem. O futuro é o que há para construir, para modificar na vida que temos. No passado não temos como mexer. No presente que agora vivemos, onde colhemos os frutos ou as consequências das escolhas feitas antes, fazemos, e de maneira negociada, correções e devidas manutenções naquilo que ainda buscamos.

Se somos maduros, capazes de fazer escolhas e temos o que apresentar, enquanto o futuro não se materializa num próximo agora, é sobre seu projeto que temos que nos agrupar e nele colocar, por meio de negociações e consensos, as melhores condições para se viver - se não as ideais, pelo menos as melhores possíveis. Fundamentalmente, ele não pode refletir a triste convergência das misérias e mazelas de nossas almas.

Não há como voltar ao passado e refazer, integral e fielmente, a trajetória escolhida num tempo antes do agora, nem como invocar o mesmo recheio que deu face e substância àquilo que era esperado, agora é vivido e logo será passado. Não teremos os mesmos contextos, atores, artefatos, adereços, nem como rever as negociações ou consensos da época e poder, a partir de agora, fazer o que apenas mais tarde mostrou-se a melhor opção.

Sobre o passado, que muito tem a nos ensinar, é importante que se tenha leituras e releituras, interpretações e reinterpretações de todos os registros deixados, todas baseadas em acesso a dados fidedignos ou em novas perspectivas que emerjam em respeito ao que foi feito e como aconteceu, esclarecendo os contextos em que consensos e negociações ocorreram.

Não há como ficar literalmente no presente, no que agora é vivido, pois, se ali na frente não chegarmos, é porque aqui fenecemos. E também porque não dá para ficar sem do presente sair ou sem ter que nele negociar condições ou chegar a consensos sobre o amanhã: o agora logo expira e escolhas tem que ser feitas sobre como vai ser o amanhã.

É possível, sim, num esforço estranho, ou em função de uma patologia específica, tornar-se refém do agora. Significa ir em direção ao futuro criando uma temporalidade mágica que nos assegure que estaremos sempre num mesmo agora, aprazível, imodificável, e no qual jamais interagiremos com o outro para negociar ou a consensos chegar sobre o amanhã. Também é possível seguir em frente sem nada de fato fazer, ou de bom a se propor, de ficar apenas a nostalgia se entregando e a um passado idílico a todo instante ficar adorando ou fazendo referência. Sim, é possível alienar-se do seu tempo, abster-se das negociações e da produção de consensos.

O futuro é uma construção social. Na melhor das condições, ele resulta da interação entre atores responsáveis, da negociação possível e a consensos que se chega de interesses, sonhos, expectativas e visões, e em condições simétricas. Ou resulta, na pior condição possível, da demonstração de forças e imposições de uma específica vontade, que dispensa consensos e ocorre em contextos assimétricos de condições.

Quanto mais simétrico, rico em diversidade, responsável e democrático for o futuro, mais legitimado ele se encontrará, muito mais nos atrairá e estimulará, pois irá refletir o que se aprende do que agora acontece e se faz, e do que antes aconteceu e de como foi feito.

O futuro, em perspectiva, é um lapso de tempo e espaço em busca de face e substância. É o produto de uma construção social que poderá ser bom, caso ele reflita a qualidade daquilo que as partes envolvidas em produzi-lo tem a oferecer: diversidade, identidades, intenções, proposições, imaginação, visão, criatividade, valores, pensamentos, reflexões, recursos, sentimentos, conhecimentos, sabedorias, ferramentas etc.

Pensar, imaginar o futuro, também é um exercício de assunção e minimização dos piores riscos. Nem sempre acontecerá do jeito que projetamos: por vezes, o alheio e o imponderável se associam ao inescrupuloso, oportunismo e má fé de quem normalmente se apraz do serviço da circunstância para fazer com que o futuro seja do jeito que mais lhe interessar. Por essa razão, laboremos a cada dia sobre o futuro que negociamos, os contratos que subscrevemos, reforçando, nos reparos solicitados pelas contingências, tudo de bom que lá atrás imaginamos.

Uma coisa é certa: longe do futuro, seremos parte do passado ou reféns do agora, e sem direito a voz. E se não tivermos um projeto negociado de futuro, chegaremos a ele de qualquer maneira, à revelia do irônico serviço da sorte, ou por imposição. E temos que ser responsáveis, pois agora fazemos escolhas por aqueles que ainda não as podem fazer. Portanto: “de olho no futuro: é lá que devemos estar”.

Marco Souza Bauhaus

07/02/2013