Domingo, 19 Nov 2017
Banner

Usuários Online

Nós temos 68 visitantes online

Usuário cadastrado



   
PDF Imprimir E-mail

 

EAD em foco: ensino por correspondência e educação a distância

Por Silvestre Prado de Souza Neto

 

“Aprender por correspondência” principalmente aqui no Brasil, escondia certo preconceito. A ferramenta de depreciação e dúvida quanto à qualidade do conteúdo apreendido à distância foi um importante instrumento de aprendizado desde a Antiguidade, quando da comunicação dos sábios por cartas. Mesmo sem a pretensão de ir tão longe no passado, em 1728 é registrado o primeiro curso por correspondência nos Estados Unidos e em 1840 (FREITAS 2005) na Inglaterra, ambos de taquigrafia. Na Rússia no início do século XX e em pelo menos oito universidades norte-americanas, há registros de cursos por essa modalidade. Com grande destaque podemos citar que “Mahatma Gandhi (Índia), Nelson Mandela (África do Sul) e C.P. Snow (Inglaterra), além de vários cientistas e escritores outorgados com o Prêmio Nobel, obtiveram seus diplomas superiores a distância pela Universidade de Londres, que em 2008 comemora 150 anos [...]” (LITTO, 2008).

Muitos praticantes e pesquisadores do ensino à distância que pertencem a uma nova geração de educadores agregam grande valor ao conhecimento na área, muita especialização e alto profissionalismo na realização das atividades. Porém, ainda há pouco conhecimento, entre eles, da história do ensino à distância e, por conseguinte, pouco conhecimento sobre a importância do ensino por correspondência. Os passos evolutivos do EAD podem ser acompanhados numa análise acurada das vinte conferências realizadas de 1938 a 2001 pelo International Council for Distance Education (ICDE) – uma das mais importantes instituições mundiais sobre EAD – na intenção de elucidar quanto à seriedade com que o ensino por correspondência foi tratado ao longo do século XX. Nesse caminho, podemos observar que desde a primeira conferência, realizada na Universidade de Britsh Columbia em 1938 no Canadá, já havia uma preocupação latente com questões técnicas do Curso por Correspondência, cujos debates foram divididos em estudos temáticos que abordavam desde a preparação e planejamento do curso, passando pelo estudo aprofundado sobre a figura do instrutor do curso, até a forma estrutural e a credibilidade da modalidade.

O acesso à educação era uma temática periférica aos aspectos técnicos que mais preocupava os conferencistas, pois enxergavam na modalidade defendida um caminho democrático de abertura do ensino a diversas classes sociais. No que tange ao acesso, cabe lembrar que, além da vertente econômica, há, também, a vertente territorial em que as população de estados interioranos em diversos países do mundo são beneficiadas até hoje pelo implemento de pólos de ensino a distância. A Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro – CECIERJ, pessoa jurídica de direito público, por meio de um consórcio formado por seis universidades públicas do Rio de Janeiro, o Centro de Educação Superior a Distância do Rio de Janeiro – CEDERJ, pode ser considerado um pioneiro no Brasil no que se refere ao acesso da educação de qualidade para a população do interior do estado por meio de seus pólos educacionais.

Esse resgate de fatos históricos serve-nos de alento para quebrar o mito da desqualificação do aprendizado por correspondência. As bases às quais foi construído legitimam quem se propõe a ser um educador e aluno à distância. Logicamente que outros fatos importantes vieram a fazer com que a modalidade por correspondência evoluísse para a educação a distância da forma que conhecemos hoje. Mas o aprendizado por correspondência deu vida a outra estrutura educacional que não fosse a tradicional realizada em salas de aulas com estudantes muitas vezes apáticos.

 

REFERÊNCIAS

FREITAS, K. S. Um panorama geral sobre a história do ensino a distância. Educação a distância no contexto brasileiro: algumas experiências da UFBA, vol. 1, Salvador: ISP/UFBA, pp. 57-68, 2005. http://www.proged.ufba.br/ead/EAD%2057-68.pdf

LITTO, Frederic M. O crescimento da Educação a Distância no Brasil. Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância, 2008. http://www.abraead.com.br/anuario/anuario_2008.pdf

 

Silvestre Prado de Souza Neto - Professor da UFRuralRJ

http://professorsilvestre.com/

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4723056Y4