Domingo, 19 Nov 2017
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Inteligência para contratar e desenvolver pessoas

É compreensível a ênfase em relação as chamadas dicas de marketing pessoal, personal branding ou qualquer outra prática que conceda ao indivíduo a sensação de que ele é um grande jogador, estrategista ou atirador de elite, enfim, a sensação de que, em determinados contextos, seu desempenho superior fará valer sua vontade. Os contextos mais comuns tornaram-se o de recrutamento e seleção e o da cena organizacional.

É o que se pode esperar da presumida cara a ser assumida pelos processos de recrutamento e seleção. Estes, em função de algumas contribuições tecnológicas e de modismos sociais, dão cada vez mais um ar de espetáculo ao importante ritual de levar pessoas para desempenhar funções e assumir responsabilidades diretamente relacionadas aos objetivos das organizações e interesses de clientes e fornecedores.

É sabido que os métodos tradicionais de recrutamento – indicações, jornais e empresas de contratação – ganharam a companhia da internet e de seus recursos. Agora as entrevistas, análise de currículo, provas, e dinâmicas de grupo recebem a companhia de CDs, DVDs, filmes, músicas e links para sites pessoais. A prática, bem semelhante a de seleção para um reality show, toma corpo no processo de seleção de MBA’s nos EUA e em empresas. O argumento para essa mudança de formato é o de que está ficando difícil separar os bons dos ainda melhores, levando a necessidade de mais conteúdo para respaldar a escolha. Algumas empresas de recrutamento já sugerem aos candidatos algum tipo de performance durante o processo de seleção. Outras já falam em análise mais exotérica.

Em termos práticos, continua prevalecendo a regra de que causar uma boa impressão é o grande negócio. Entretanto, se isso ainda prevalece em empresas, se este é realmente o grande marcador da avaliação, fica ainda mais exposta a fragilidade dos paradigmas de recrutamento, seleção e desenvolvimento de pessoas. Torna-se claro que é preciso aprimoramento para o processo que promoverá o encontro entre o conjunto de recursos que um indivíduo tem (inteligências, motivação, personalidade, atitudes, comportamentos, habilidades, valores, vivências culturais) e o micro mundo encerrado por uma organização (pessoas, recursos, rituais, normas, valores etc.). Mundo este predominantemente orientado para metas econômicas e financeiras, mas que precisa assumir com mais ênfase as chamadas responsabilidades sociais. Em todo caso, os custos relacionados a turn-over são bem conhecidos, assim como os relativos ao burn out. Bancá-los é uma opção. Uma entre muitas tomadas de decisão, como a de, muitas vezes, transferir ou compartilhar para e com empresas de recrutamento e seleção a responsabilidade pelo processo.

A tecnologia tem um importante papel a desempenhar no que diz respeito a contratação e desenvolvimento de pessoas, e esse tem a ver com a constituição de um sistema de inteligência aplicada a esta realidade, e não para trazer mais modismos, ações pontuais que conduzem a falsa sensação de sofisticação. Sim, isso fica mais fácil em empresas com mais recursos e mais profissionalizadas.

Este sistema tem o papel primordial de evitar perdas com fracassos na contratação e com problemas como burnout, e de, logicamente, diminuir o risco inerente a toda contratação. Para isso, um sistema de inteligência aplicada a contratação e desenvolvimento de pessoas deve conceber, além dos aportes da Psicologia, os aportes da Antropologia e da Pedagogia, por exemplo. Isso aumentaria o número de marcadores analisados e avaliados.

Assumir a complexidade do processo de contratação e desenvolvimento de pessoas e criar um sistema de inteligência aplicada a esse fim está de acordo com o paradigma de que as organizações aprendem e ensinam. É preciso mostrar as pessoas que elas são eticamente analisadas e desenvolvidas. Em todo caso, é bom sinalizar para os candidatos que eles precisam mais do que táticas pontuais para alcançarem seus objetivos, como o de desenvolver sua própria inteligência de monitoramento de setores econômicos, empresas e de dinâmicas sociais e tecnológicas.